Homem também tem burnout: terapias online para o executivo esgotado

Você dorme mal, acorda cansado e chega à primeira reunião já no limite. A empresa vai bem, a agenda está cheia e você repete que é só uma fase. Pode ser. Mas pode ser burnout, e homem também tem.

A resposta curta: o caminho mais seguro tem ordem. Primeiro, um médico, psicólogo ou psiquiatra avalia o que está acontecendo. Depois, se for o caso, vem a psicoterapia, que pode ser online, com psicólogo registrado no Conselho Federal de Psicologia. Por último, como complemento e nunca como substituto, entram práticas integrativas que ajudam você a desacelerar. Este guia mostra cada etapa, com fontes oficiais.

Em crise agora? Se você está pensando em tirar a própria vida, ligue 188. O Centro de Valorização da Vida (CVV) atende pelo telefone 188, 24 horas por dia e sem custo de ligação, e também por chat. Em emergência, procure o pronto-socorro mais próximo ou ligue 192 (Samu).

Homem de barba e blazer azul no escritório, com os pés sobre a mesa, olhando papéis e o celular ao mesmo tempo
A agenda cheia e o celular na mão: o retrato de muitos executivos. Foto: StockSnap (CC0).

Burnout tem nome oficial

Burnout não é frescura nem palavra da moda. A Organização Mundial da Saúde o incluiu na CID-11, a classificação internacional de doenças, com o código QD85 (Burnout). A definição da OMS é seca: é uma síndrome resultante de estresse crônico no trabalho que não foi gerenciado com sucesso.

A nota oficial da OMS sobre o burnout descreve três dimensões:

  • sensação de esgotamento ou de energia drenada;
  • distância mental do trabalho, com negativismo ou cinismo em relação a ele;
  • queda da eficácia profissional.

Repare num detalhe. A OMS trata o burnout como fenômeno ocupacional, e não como condição médica em si. Ele está no capítulo dos fatores que influenciam o estado de saúde, e vale só para o contexto do trabalho.

No Brasil, o Ministério da Saúde vai além. A Portaria GM/MS nº 1.999, de 27 de novembro de 2023, atualizou a Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho (LDRT), e o código Z73.0, “Esgotamento (Burnout)”, aparece na lista, ligado a fatores psicossociais do trabalho, como jornada e organização das tarefas. Na página do Ministério da Saúde sobre a síndrome de burnout, o quadro é descrito como um distúrbio emocional com exaustão extrema, estresse e esgotamento físico, ligado a situações de trabalho desgastantes.

Homem demora a pedir ajuda

Os números oficiais sobre saúde mental masculina pesam. O Boletim Epidemiológico nº 4 de 2024 do Ministério da Saúde registrou 15.507 suicídios no Brasil em 2021. Desses, 77,8% foram de homens.

O mesmo boletim aponta, entre os homens, “elevados níveis de subdiagnóstico e baixa adesão a tratamentos” para transtornos mentais, sejam remédios ou psicoterapia. Traduzindo: o homem adoece, não sabe que adoeceu e, quando sabe, larga o tratamento no meio.

Burnout não é sinônimo de risco de suicídio. Mas o padrão é o mesmo: segurar tudo sozinho até não dar mais. A terapeuta integrativa Marinice Vieira resume assim:

“Esgotamento não é fraqueza. É o sinal de que alguém carregou peso demais por tempo demais sem pedir ajuda.” (Marinice Vieira, terapeuta holística)

Os sinais aparecem cedo

O Ministério da Saúde lista os sintomas mais comuns. Confira quantos você reconhece:

  • cansaço excessivo, físico e mental;
  • dificuldade de concentração;
  • insônia;
  • dor de cabeça frequente;
  • alterações no apetite e no humor;
  • isolamento;
  • dores musculares;
  • pressão alta;
  • problemas gastrointestinais.

No dia a dia do executivo, isso costuma aparecer de outro jeito. Você relê o mesmo e-mail três vezes. Fica irritado com a equipe por qualquer coisa. Toma decisões só para se livrar delas. Passa o domingo pensando na segunda. Se você lidera gente, o assunto pesa ainda mais, como mostramos no texto sobre liderança e decisões sob pressão.

Segundo o Ministério, os sintomas começam leves e tendem a piorar. Por isso a orientação oficial é buscar apoio profissional logo nos primeiros sinais.

Homem de camisa branca sentado numa poltrona perto da janela de um escritório, com expressão pensativa
Parar para perceber os sinais é o primeiro passo. Foto: StockSnap (CC0).

Primeiro passo: profissional de saúde

Quem faz o diagnóstico de burnout, segundo o Ministério da Saúde, é o psiquiatra ou o psicólogo. Você pode começar pelo seu médico de confiança, que avalia o quadro e encaminha. Isso importa porque insônia, cansaço e pressão alta também podem ter outras causas, e só uma avaliação separa uma coisa da outra.

No SUS, a porta indicada são os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que fazem parte da Rede de Atenção Psicossocial.

O tratamento descrito pelo Ministério tem como base a psicoterapia. Em alguns casos, o médico pode associar medicamentos, como antidepressivos ou ansiolíticos. Mudanças nas condições de trabalho e nos hábitos de vida, atividade física, relaxamento e férias de verdade completam o pacote. A melhora costuma aparecer entre um e três meses, de acordo com a mesma página.

Psicoterapia online é séria

A boa notícia para quem vive em aeroporto: a psicoterapia pode ser feita por vídeo. O exercício da psicologia mediado por tecnologias digitais é regulado pela Resolução CFP nº 9/2024, do Conselho Federal de Psicologia. A regra vale para o psicólogo; a conferência, para você.

Antes da primeira sessão, faça o básico:

  1. Confira o registro. Busque o nome do profissional no Cadastro Nacional de Profissionais de Psicologia, a base pública do CFP. Sem registro ativo no Conselho Regional, não é psicólogo.
  2. Use plataformas com critério. Serviços como Zenklub e Vittude reúnem psicólogos para atendimento por vídeo. A Vittude informa que exige registro ativo no CRP dos profissionais. Mesmo assim, confira o nome no cadastro.
  3. Pergunte à empresa. Muitas companhias oferecem benefício de saúde mental. A Vittude, por exemplo, tem planos corporativos em que a empresa subsidia parte ou todo o valor das sessões. Vale checar com o RH.
  4. Garanta privacidade. Sala fechada, fone de ouvido e celular no silencioso. Sessão no carro, entre duas reuniões, não funciona.
  5. Combine a frequência. Sessão que vive sendo desmarcada não trata nada. Coloque na agenda como compromisso com cliente.

Quem faz o quê

Profissional ou serviçoO que fazQuando procurar
Médico ou psiquiatraAvalia, diagnostica, pode prescrever remédio e emitir atestadoAssim que os sintomas aparecerem
Psicólogo com registro no CRPPsicoterapia, presencial ou onlinePara tratar o quadro, junto com o médico
CAPS (SUS)Atendimento em saúde mental pela rede públicaQuando precisa de cuidado gratuito
Terapeuta integrativoApoio complementar, sem substituir o tratamentoComo acompanhamento extra, com o tratamento em dia
CVV (188)Apoio emocional por telefone e chat, 24 horasEm qualquer momento de crise

Complementos que cabem na agenda

As práticas integrativas têm espaço oficial no Brasil. A página do Ministério da Saúde sobre as Práticas Integrativas e Complementares (PICS) informa que elas são institucionalizadas pela Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) e atuam de forma complementar ao tratamento convencional. Complementar é a palavra-chave. Nenhuma das opções abaixo trata ou cura burnout. Elas podem ajudar você a desacelerar enquanto faz o tratamento com médico e psicólogo.

1. Marinice Vieira, terapeuta integrativa

A Marinice Vieira é terapeuta integrativa e holística, com base em Alto Paraíso de Goiás, na Chapada dos Veadeiros, e atende online em português, inglês e espanhol. São mais de 20 anos de experiência, segundo ela, número que também aparece no perfil dela no portal Visit Veadeiros, que a apresenta como presidente da Associação de Terapeutas da Chapada dos Veadeiros.

Na página de serviços do site dela, a primeira sessão online dura 1 hora e 30 minutos, por vídeo. O trabalho envolve orientação espiritual, autoconhecimento e leitura de cartas, com foco em clareza e propósito. Ela tem avaliações públicas no Google.

O ponto que mais importa para você: ela deixa claro onde o trabalho dela entra.

“Meu trabalho não substitui médico, psicólogo ou psiquiatra. Ele caminha junto com eles, cuidando de uma parte sutil que pede um olhar mais profundo — a ponto de esses mesmos profissionais me indicarem para ajudar a encontrar o fio da meada.” (Marinice Vieira, terapeuta integrativa)

E sobre o formato online, pensado para quem não consegue parar:

“O executivo esgotado não precisa largar tudo para se cuidar. Uma hora e meia bem conduzida, de onde ele estiver, já muda a forma como ele chega na próxima reunião.” (Marinice Vieira, terapeuta holística)

Para quem faz sentido: o homem que já está em acompanhamento com psicólogo ou médico e quer um espaço extra de escuta e autoconhecimento, sem sair do escritório.

2. PICS na rede pública

Se o bolso está apertado ou você prefere algo perto de casa, o SUS oferece práticas integrativas de forma gratuita. A página oficial do Ministério fala em 29 procedimentos, entre eles meditação, yoga e reiki. Segundo o Ministério, na maioria dos casos o atendimento pode ser buscado direto na Unidade Básica de Saúde (UBS). A oferta varia por município e costuma ser presencial.

Para quem faz sentido: quem quer uma prática regular, gratuita e perto de casa, encaixada no cuidado da rede pública.

3. Cursos online da Monja Coen

A Monja Coen é missionária oficial da tradição Soto Shu Zen no Brasil, escritora e palestrante. Na página de cursos dela, há cursos online como “Meditação Guiada para Pessoas Ocupadas” e “Prática Zazen”, que ensina os fundamentos da meditação Zen.

Para quem faz sentido: quem prefere praticar sozinho, pela internet, e quer aprender a meditar com uma referência conhecida.

Pernas de um homem de calça cáqui e botas caminhando sobre uma passarela de madeira no meio da floresta
Movimento e natureza ajudam a desacelerar, como complemento ao tratamento. Foto: StockSnap (CC0).

Monte sua semana possível

Plano bonito que não cabe na agenda não sai do papel. Comece pequeno:

  1. Esta semana: marque a consulta com médico, psiquiatra ou psicólogo. Uma só ligação já tira o assunto da gaveta.
  2. Bloqueie um horário fixo para a terapia, como se fosse reunião de conselho.
  3. Corte uma coisa: uma reunião recorrente, um grupo de mensagens, o e-mail depois das 21h.
  4. Proteja o sono. Quarto escuro, celular fora da cama, horário parecido todos os dias.
  5. Mexa o corpo três vezes por semana, nem que seja uma caminhada.
  6. Escolha um complemento, só depois de iniciar o tratamento, e conte ao seu psicólogo o que está fazendo.

Se você trabalha de casa, o ambiente também ajuda a separar expediente e descanso. O guia de home office com identidade traz ideias para isso. E se o esgotamento veio de uma crise no negócio, leia também o texto sobre resiliência empreendedora.

Perguntas frequentes

Burnout é doença?

Para a OMS, burnout é um fenômeno ocupacional, registrado na CID-11 com o código QD85, e não uma condição médica em si. No Brasil, o Ministério da Saúde incluiu o esgotamento (burnout), código Z73.0, na Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho, atualizada pela Portaria GM/MS nº 1.999/2023.

Terapia online serve para burnout?

A psicoterapia é a base do tratamento descrito pelo Ministério da Saúde, e o CFP regula o atendimento psicológico por meios digitais. Ela pode ser online, desde que feita por psicólogo com registro ativo e com um diagnóstico feito por profissional de saúde.

Como sei se o psicólogo é registrado?

Consulte o nome no Cadastro Nacional de Profissionais de Psicologia, do Conselho Federal de Psicologia, em cadastro.cfp.org.br. A busca é pública e gratuita.

Não. Práticas integrativas são complementares ao tratamento convencional, como diz o próprio Ministério da Saúde. A terapeuta Marinice Vieira afirma que o trabalho dela não substitui médico, psicólogo ou psiquiatra.

Onde peço ajuda agora?

Em crise, ligue 188, o número do CVV, que atende 24 horas por dia e sem custo. Em emergência, procure um pronto-socorro ou ligue 192. Para começar o tratamento pelo SUS, procure a Unidade Básica de Saúde ou um CAPS.

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